Autor: Edson Aran

Uma saga de pobreza e infelicidade

Uma saga de pobreza e infelicidade

Nos éramos muito pobres. Papai teve que vender três de nós para experiências genéticas. Meus irmãos se deram bem e foram viver em algum laboratório chique. Infelizmente, ninguém quis me comprar, mas os vizinhos da casa ao lado aceitaram me alugar por um tempo. O cachorro deles tinha morrido. Eu passava as noites latindo no quintal para afastar ladrões. Aqueles foram dias felizes. Os vizinhos também eram muito pobres e, por isso, os ladrões iam roubar outros vizinhos. De vez em quando, eu tomava um osso dos vira-latas da rua e levava para mamãe fazer sopa.

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Como escolher um deus

Como escolher um deus

Deuses são caprichosos e exclusivistas. Tenha muito cuidado com deidades ególatras que se acreditam únicas, permitem apenas o monoteísmo e punem os faltosos com enchentes de rãs e terremotos de gafanhotos. Se puder optar, prefira o politeísmo. Se não puder, experimente pelo menos o catolicismo. Deuses onipresentes são como parentes chatos que nunca vão embora. Deuses oniscientes são como vizinhos bisbilhoteiros que não tem o que fazer. Deuses onipotentes são como argentinos: pensam que são grande coisa, mas é só pretensão e água benta.

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Os 10 melhores quadrinhos de super-heróis de todos os tempos

Os 10 melhores quadrinhos de super-heróis de todos os tempos

Os quadrinhos de super-heróis são a narrativa épica do nosso tempo. Não temos mais Ulisses, Poseidon e Homero, mas temos Doom Patrol, a Irmandade Dadá e Grant Morrison. Não faça essa cara. As pessoas ouviam as narrativas de Homero para escapar do quotidiano chato da Grécia Clássica. Nós lemos quadrinhos de ação pelo mesmo motivo. Não há nada de novo sob o sol. Ou melhor, há sim: super-heróis com colãs multicoloridos! Bang! Pflot! Zum!

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Os 10 livros mais engraçados da literatura brasileira

Os 10 livros mais engraçados da literatura brasileira

Como todo mundo gosta de listas e ninguém leva humor a sério (thanks god), preferi resenhar os livros mais engraçados da literatura brasileira. É uma lista pessoal e não tem ordem. Os 10 estão emparelhados. Não incluí nenhum dos meus — “A Noite dos Cangaceiros Mortos-Vivos”, “Delacroix Escapa das Chamas” etc. Mas incluiria se ninguém me acusasse de legislar em causa própria. Injustamente, claro.

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Um Conan existencialista: pra quem gosta de “Game Of Thrones”

Um Conan existencialista: pra quem gosta de “Game Of Thrones”

Embora seja um ilustre desconhecido no Brasil, o escritor Michael Moorcock é uma lenda da literatura fantástica britânica. Influenciou todo mundo: Neil Gaiman, Alan Moore, Grant Morrison, Douglas Adams, Terry Prachett e George R.R. Martin, criador da série “Game of Thrones”. Moorcock também editou a revista de ficção científica “New Worlds” de 1964 a 1996, sendo responsável pela chamada “new wave” do gênero, que revelou (além dele próprio) escritores como J.G. Ballard (de “Crash”) e Ursula K. Le Guin (de “A Mão Esquerda das Trevas”).

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Tem livros que insistem em nos largar

Tem livros que insistem em nos largar

Tem livros que insistem em nos largar. A gente se esforça pra gostar, volta, relê, mas não adianta: o livro não vai. Quando bati o olho em “Ele Está de Volta”, de Timur Vermes (Intrínseca), foi atração imediata. Só que Timur Vermes confunde “tema” com “trama”. Hitler no século 21 é um bom tema, mas não chega a ser uma trama. E aí, como não tem uma história pra contar, o que sobra são longuíssimas observações de Adolf Hitler sobre a decadência do mundo e da Alemanha, em particular. Lá pelas tantas, você começa a suspeitar que o autor simpatiza demais com as ideias do personagem.

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Humor é subversão. O resto é gracinha

Humor é subversão. O resto é gracinha

Nós usamos a expressão “Indústria dos Quadrinhos”, mas nunca, jamais, “Indústria da Literatura”. Bem feito pra literatura. E bem feito pra todos os escritores que sofrem pela humanidade com o coração sangrando e o bolso vazio. Indústria pressupõe a existência de cliente, consumo, produção e, consequentemente, dinheiro. Mas nas HQs, como nos livros, quem fatura é o editor, claro.

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