“Não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito”

“Não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito”

Tem hora que o coração não aguenta o tranco. A vida convoca os vivos a viver! Somos descobertos atrás das trincheiras que criamos para nos acovardar diante da luta. Nossos sentimentos mais dolorosos trazem a notícia de que algo não vai bem. A emoção faz alerta e, se prestarmos mais atenção a ela, teremos a sorte de despertar de alguma ignorância. Não podemos escolher o que vamos sentir, mas é possível fazer algo a partir do que o sentimento nos comunica.

Ainda que não possamos evitar a raiva, porque tudo deu errado, é nossa escolha não nos acorrentarmos a ela. Não dá para negar a sensação de incômodo ao sermos invadidos, mas podemos dizer não e delimitar nosso espaço. Não é possível arrancar a mágoa fincando sobre o peito as unhas, mas é oportuna a escolha de perdoar. Não há virtude que nos faça enviar para a China o sentimento de incerteza quando a vida nos convida a decidir, mas é escolha não nos apegar ao que foi perdido e estar em sintonia com o que ganhamos. Jamais teremos garantia de que não seremos feridos, mas é nossa competência a coragem de deixar sangrar para cicatrizar. Não há como prever a partida de quem amamos, mas podemos seguir a enfeitar o caminho de bem-querer. Nem sempre seguramos nossa chateação pelo desencontro, mas podemos marcar o próximo. Não existe garantia que nos livre de sentir medo, mas é nossa escolha parar de culpar o outro pelo que não conseguimos fazer. Nem sempre nos sentiremos fortes o suficiente para resolver algo, mas podemos reconhecer que necessitamos de ajuda. Não podemos evitar o desespero de ver sofrer quem amamos, mas é nossa escolha dar-lhe a mão e entender que não cabe a nós a responsabilidade pela felicidade do outro. Não é possível evitar todas as quedas, mas é escolha não se apegar à pedra que nos derrubou. Não podemos evitar quando a saudade bater, mas podemos encontrar o dono dela. Nem sempre nossas reflexões sobre a vida que levamos nos trarão paz, mas podemos assumir a responsabilidade de tentar modificá-las com coragem.

Toda revolução começa no indignar, na percepção inteligente e honesta de nossos sentimentos. Então, abra essa janela, deixe o vento entrar. Permita escutar o que ele traz. Deixe que o sentir seja o impulso que precipita e nos arremessa da inércia, pois permanecer em situações de sofrimento reversíveis, nas quais não nos reconhecemos em paz, deixará sempre exposto o tamanho do buraco de nossa cegueira emocional.

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